
Title: La Dormeuse
Tamara de Lempicka
Venturosa de Sonhar-te
Venturosa de sonhar-te,
à minha sombra me deito.
(Teu rosto, por toda parte,
mas, amor, só no meu peito!)
-Barqueiro, que céu tão leve!
Barqueiro, que mar parado!
Barqueiro, que enigma breve,
o sonho de ter amado!
Em barca de nuvem sigo:
e o que vou pagando ao vento
para levar-te comigo
é suspiro e pensamento.
-Barqueiro, que doce instante!
Barqueiro, que instante imenso,
não do amado nem do amante:
mas de amar o amor que penso!
Cecília Meireles
Poesia: Cecília Meireles
Postado por Edna Federico às 11:15 AM 14 comentários
Marcadores: Cecília Meireles, poesia
Poesia: Murmúrio

Title: Fence Posts
Chip Forelli
Murmúrio
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
domingo, 9 de setembro de 2007
Postado por Edna Federico às 10:44 AM 12 comentários
Marcadores: Cecília Meireles, poesia
Poema: Cecília Meireles

Boa tarde, galera...
Hoje ficaremos com um lindo poema de Cecília Meireles.
Cecília Benevides de Carvalho Meireles, nasceu em 07 de Novembro de 1901 no Rio de Janeiro e morreu em 09 de Novembro de 1964, também no Rio de Janeiro.
Começou a escrever poesia aos 9 anos de idade e aos dezoito anos de idade publicou o seu primeiro livro de poesias, Espectro, em 1919.
Atuou como jornalista, com publicações diárias sobre problemas na educação, área à qual se manteve ligada fundando, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro.
Como professora, estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.
Uma grande e sensível poetisa brasileira e que merece nossa homenagem!
Poema do Amor Perfeito
Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.
Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.
Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?
Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...
Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.
Cecília Meireles
imagem: www.todoportugues.com.ar
terça-feira, 3 de julho de 2007
Postado por Edna Federico às 12:10 PM 1 comentários
Marcadores: Cecília Meireles, poema

